Logo Vittor Santos

Arranjador, compositor, trombonista, produtor, Vittor Santos convive com música desde a infância. Ainda menino, fascinado pelo acervo fonográfico da família, teve acesso à música brasileira através de Sílvio Caldas, Nélson Gonçalves, Anísio Silva e outros. Aos sete anos foi presenteado com um pandeiro, instrumento que lhe despertou a musicalidade. No ano seguinte passou a estudar violão e, de imediato se interessou pelos recursos de harmonia.

Aos 11 anos, em 1976, ingressou na “Banda do Clube Musical Euterpe”, onde passou a estudar tuba e elementos da música com o regente Alberto de Araújo Lopes.

Iniciou carreira profissional aos 14 anos, como integrante de um quinteto que tocava para dançar nas noites petropolitanas, adotando o trombone como primeiro instrumento. Aos 16 anos começou a trabalhar em shows e gravações para diversos cantores e em 1985 montou a “Orquestra de Vittor Santos”, com a qual realizou diversas apresentações pelo Brasil e gravou os discos “Aquarelas Brasileiras” e “Um Toque Tropical”, pela antiga “Continental”, e ainda participou do filme “Banana Split” e da minissérie “Anos Rebeldes”. Foi líder e trombonista da “Orquestra In Concert” e professor de arranjo e harmonia funcional da escola homônima. Em 1999 participou do FREE JAZZ FESTIVAL, dirigindo a “Vittor Santos Orquestra”. É regularmente convidado para ministrar cursos de harmonia e arranjo, pelo Brasil, incluindo o 1º Seminário Brasileiro de Música Instrumental (dirigido por Toninho Horta, em 1986), o CIVEBRA, a Oficina de Música de Curitiba, o Festival de Música de Londrina, o Festival de Música de Domingos Martins etc.

Em 1994 lançou “Trombone”, primeiro disco como solista pela “Leblon Records” e, em 1997, pela mesma gravadora, o “Sem Compromisso”, de quinteto fixo, ao lado de alguns dos ex-integrantes da “Orquestra de Vittor Santos”. Em 2005, juntamente com o grupo “Conexão Rio”, lançaram o CD “Você só dança com ele”, pelo selo “MP,B”, no qual visitam 12 canções do compositor Chico Buarque. Já em 2006, o CD “Renovando as Considerações”, em parceria com os selos “Biscoito Fino” e “Brasilianos” no Brasil e, nos Estados Unidos, com o título “Renewed Impressions”, com o selo “Adventure Music”. Em 2014, publica os CDs “Co(n)vivências”, no qual prioriza composições próprias e de compositores de convívios diversos, contando, também, com um quinteto fixo em oito das nove faixas, e “Reflexos”, album que desfila 14 composições do escritor, ator e compositor Simon Khuory, como arranjador e produtor artístico.

Em 2001 estreou sua primeira obra sinfônica “Divagações sobre os quatro elementos” junto à Orquesta municipal de sopros de Caxias do Sul. Escreveu arranjos para a “Lincoln Center Jazz Orchestra”, para o evento “Carnival on Broadway – a Música do Brasil”, temporada 2001/2002. Em 2004, na Sala Cecília Meirelles, a Orquestra Sinfônica da Petrobrás – Pró-Música, estreou sua 12ª obra sinfônica “Divagações nº 12 – concerto para clarineta Bb e orquestra”, tendo como solista o clarinetista Cristiano Alves. Em 2006, o saxofonista californiano Harvey Wainapel e a “Kluver’s Big Band” executaram ao vivo, na Dinamarca, alguns de seus arranjos, em 4 concertos focados na música brasileira. A “Orquestra à base de sopro”, em 2007, executou 7 arranjos e 3 composições de Vittor Santos sob sua direção, em 3 concertos em Curitiba. Nesse mesmo ano, a Sam Jazz Big Band, orquestra formada por professores e alunos do Conservatório de música de Tatuí, convidou-o para um concerto dentro do “2º encontro internacional de metais”, realizado na prórpia Tatuí, e desde então, um trabalho conjunto vem sendo realizado com a orquestra, hoje denominada “Big Band do Conservatório de Tatuí”. Escreveu os arranjos para o CD ‘Alegria’ que reúne a Orquestra do Mato Grosso com o solista/bandolinista Hamilton de Holanda, onde visitam temas de musicais infantis. Em 2015, convidado pela ‘Geraes Big Band’, desenvolveu uma pesquisa didática da interpretação da música brasileira, para a respectiva formação.

Paralelamente à sua carreira individual, Vittor Santos dedica sua vida profissional ao enriquecimento do trabalho de diversos artistas. Foi convidado, com frequência, para participar de diversos “Songbooks” produzidos por Almir Chediack. Vem participando como instrumentista ou arranjador em discos (CDs) ou shows de artistas como: Chico Buarque de Hollanda, Caetano Veloso, Leny Andrade, Gal Costa, Moraes Moreira, Miltinho, Elza Soares, Ivan Lins, Francis Hime, Leila Pinheiro, Fátima Guedes, Mário Adnet, Maria Schneider, Hamilton de Holanda, Ricardo Silveira, Ed Motta, e muitos outros. Atua como instrumentista nos projetos “Ouro Negro” (CD – 2001; DVD – 2005) e “Choros e Alegria” (CD – 2005), que homenageia o compositor-maestro Moacir Santos. Como instrumentista e arranjador foi convidado para compor o elenco de solístas do projeto “Um Sopro de Brasil”, gravado ao vivo em CD e DVD, em 2004. Participou de algumas das últimas gravações do saudoso maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, de quem nutre profundo respeito e admiração. Afinal, nasceram com o mesmo dom e no mesmo 25 de janeiro.

 

 

 

Antônio Jorge Cavalcanti Netto - (Rádio Catedral-Rádio MEC)

Arranjo musical é a alta expressão da combinação de dois polos do comportamento humano: espontaneidade e racionalidade. Preparar uma música para ser tocada por determinados instrumentistas, é atitude da mais absoluta descontração para alcançar o som da interpretação, potencializando os elementos que a música oferece. Para isso, é necessário, entretanto, o conhecimento formal, algo como engenharia.

Vittor Santos, em criança, não cansava de por a mão nos instrumentos e descobrir o seu som: instrumentos de sopro, violão, piano e tudo que lhe aparecia na frente. Também não cansava de fazer perguntas como toda criança não para de fazer.
A adolescência, em vez de lhe tirar a espontaneidade e lhe despertar o embaraço e desconfiança, atiçava-o a fazer perguntas mais e mais específicas, manuseando cada vez mais nos instrumentos e ainda dotava-o de disciplina, indispensável na formação do conhecimento. Os rumos e incidentes de sua infância e adolescência o levaram inexoravelmente à frente de uma “big-band” aos 20 anos. Suas perguntas e indagações se transformaram em investigações. Inteiramente voltado à essência humana, criativa e técnica, jamais “perseguiu a carreira” de arranjador-regente-intérprete: viu-se envolvido nela, reforçado pela perseverança, humildade e amor-pela-criação, marcas de seu temperamento. “Vittor Santos Orquestra” é o úníco e possível fruto dessa árvore plantada há 34 anos.

E diga-se a propósito: é o início de tudo que está para lhe acontecer, trazendo em sua germe o fulgor, brejeirice e bravura de seu criador.

Ian Guest - Maestro (Mariana, MG, 25 de Agosto de 1999). Húngaro radicado no Brasil desde 1957.
Bacharel em composição pela UFRJ e Berklee College of Music (Boston), diretor e fundador do CIGAM
(Centro Ian Guest de Aperfeiçoamento Musical) e precursor da didática aplicada à música popular no Brasil.